barra-vela.jpg

António Fontes concluiu a primeira etapa da Mini Trasat

antoniof hpO velejador solitário português António Fontes desembarcou em Lanzarote nas Canárias, depois de oito dias, 12 horas e 25 minutos sozinho no mar, tendo concluído a primeira etapa da Mini Transat 2015 em 18.º lugar.
A Mini Transat é uma regata em solitário, num barco à vela de 6,5 metros, numa prova em que se percorre 4.000 milhas atravessando o Atlântico. Disputa-se em duas etapas, na qual o velejador navega cerca de 30 dias sózinho no mar, sem assistência e comunicação.
A travessia teve início em Douarnenez (França) a 19 de Setembro e termina em Guadalupe, nas Caraíbas, no final de Novembro.
Este ano a Mini Transat tem 74 participantes, representando 16 países. Em veleiros 6.5 de Serie concorrem 46 velejadores e em Protótipos encontram-se 28. 
António Fontes, de 31 anos, contando com o apoio da Meritis – Associação de Apoio a Jovens, depois de Francisco Lobato é o segundo português a participar numa Mini Transat.
Licenciado em pilotagem pela Escola Náutica Infante D. Henrique, representou Portugal em competições internacionais e fez parte de equipas profissionais.antoniof mini 
António Fontes, campeão em Match Racing e agora velejador solitário, a participar com um 6.5 de Série, na chegada às Canárias, contou: “Estou muito satisfeito com a minha prestação. Consegui superar a etapa sem partir material, o que é para todos sempre uma grande preocupação. Aliás, tenho alguns adversários que tiveram de fazer escala para reparações e outros que se viram forçados até a abandonar a prova. No entanto, com as diferenças de vento que se fizeram sentir no mar, que me obrigaram a estar sempre atento e alerta, acabei por não conseguir descansar o suficiente e cheguei mesmo a ter alucinações. É duro só poder dormir apenas 20 minutos de seguida".
Durante uns dias que passou em Lisboa a descansar e preparar-se para a 2.ª etapa, que tem início em 31 de Outubro, António Fontes contou mais: “A minha participação na Mini Transat é um sonho de muitos anos e desde muito novo comecei a preparar-me para esta prova que é muito dura. Tive a prova disso, quando após a largada, devido às condições do mar e do vento, ora demais ora de menos, não conseguir dormir os períodos de 20 minutos que precisava. Perdi o anemómetro e sem ele não conseguia navegar devidamente com o piloto automático. Como atravessei uma zona com muitas algas que se prendiam no patilhão, ao largo do cabo Finisterra, perdi imenso tempo a mergulhar para o limpar. Ao fim de cinco dias ainda não tinha conseguido dormir. Foi nessa altura que julgava que estava a chegar a um porto que percebi que estava a alucinar. Foi terrível. Consegui aliviar o cansaço com alguns pequenos períodos a dormir e acabei por chegar a Lanzarote”. 
Já com o barco arranjado, António Fontes acredita que esta primeira experiência numa travessia lhe deu mais capacidade para enfrentar melhor a 2ª etapa e conclui: “A classificação final desta regata é a soma das duas etapas. Agora vou fazer cerca de vinte dias no mar. Sinto-me bem preparado e também com boas informações tácticas que devo seguir. Quero melhorar a minha classificação.”