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Volvo Ocean Race: O Sublime Encanto de Lisboa

vor2A marcar as celebrações do Dia de Portugal, a frota da Volvo Ocean Race iniciou a rota da etapa oito da regata à volta ao mundo no rio Tejo. O ex-futebolista Luís Figo e Manuel Salgado, vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, viveram a bordo dos veleiros Abu Dhabi Ocean Racing e CAMPER/ETNZ a incrível emoção de um momento histórico para a capital portuguesa, que sediou pela primeira vez uma escala deste que é considerado um dos cinco mais importantes eventos desportivos do mundo - a par dos Campeonatos da Europa e do Mundo de Futebol, Jogos Olímpicos e Ryder Cup (golfe).

Figo e Salgado tiveram de saltar para a água depois da rondagem da bóia em frente ao Terreiro do Paço, antes que a frota acelerasse rumo ao oceano Atlântico com o veleiro norte-americano PUMA a liderar o ritmo. A rota de 1940 milhas até Lorient (França) será uma das mais emocionantes da volta do mundo, pois quatro equipas estão na luta para conquistar a liderança da classificação geral – Groupama, Team Telefónica, Puma e CAMPER/ETNZ -, com uma margem de apenas 21 pontos entre todas.
As tripulações percorreram cerca de quatro milhas entre as bóias de sinalização de percurso no rio Tejo desde a largada em frente à Marina de Pedrouços, sede da escala do evento em Lisboa. Ao sinal de largada - accionado pelo Presidente da República, Cavaco Silva, ao lado dos presidentes da Câmara Municipal de Lisboa e de Oeiras, António Costa e Isaltino Morais, e o empresário João Lagos, promotor da escala portuguesa -, os norte-americanos do PUMA avançaram com velocidade, apesar da corrente contrária e dos ventos instáveis do quadrante norte. Os franceses não largaram bem, nem os espanhóis do Team Telefónica e menos ainda a equipa do Abu Dhabi Ocean Racing, que teve um problema técnico com a vela de proa, o que entretanto não comprometeu a performance do skipper Ian Walker que conseguiu navegar mais junto à margem sul e alcançar o terceiro lugar na frota.
A passagem sob a Ponte 25 de Abril foi mais uma vez emocionante e a rondagem da bóia em frente ao Terreiro do Paço marcou o ponto alto da estadia da frota na histórica capital portuguesa que atraiu mais de 180.000 pessoas. As imagens de Lisboa foram transmitidas em directo para o mundo inteiro através do website do evento, que conta com uma audiência que ultrapassa já mil milhões de pessoas.
O skipper Ken Read aumentou ainda mais a vantagem no percurso no rio Tejo, enquanto os principais adversários – CAMPER/ETNZ, Groupama e Team Telefónica debatiam-se com ventos mais fracos. «Vamos agora acelerar o mais que pudermos, pois temos boas hipótese de conquistar a vitória na classificação geral», disse o o timoneiro norte-americano, com 176 pontos na tabela geral, cinco pontos a menos que o Team Telefónica, em segundo lugar, e a 13 pontos dos líderes franceses.
Com a previsão de ventos médios até à aproximação aos Açores, a frota deve registar dois dias de navegação até esta marca de passagem obrigatória. Ventos fracos na área podem comprimir a frota e marcar o recomeço da rota. Mas a partir daí, uma frente fria poderá trazer ventos muito fortes para o restante trecho até ao porto francês de Lorient. A duração da etapa está estimada em sete dias. O final da VOR será em Galway, Irlanda, no início de Julho.

Franceses Conquistam a Capital
O Groupama venceu a Oeiras In-Port Race da Volvo Ocean Race Lisboa em vela e aumentou para oito pontos a vantagem sobre os espanhóis do Telefónica na classificação geral.
A equipa de Franck Cammas soma 189 pontos contra os 181 do Telefónica, de Iker Martinez, tendo precisado de 61.22 minutos para completar o percurso em vaivém entre Pedrouços e o Terreiro do Paço e uma “banana” mais pequena, quase em frente à Torre de Belém.

O Puma ficou na segunda posição da Oeiras In-Port Race da etapa de Lisboa, com mais 22 segundos e cinco pontos, seguido do CAMPER, a 1.08 minutos e quatro pontos, Abu Dhabi, a 1.46 e três pontos, Team Sanya, a 3.28 e dois pontos, e Telefónica, a 4.17 e um ponto.

Na classificação geral, o Groupama lidera com 189 pontos, o Telefónica soma 181, o Puma 176, o CAMPER 166, o Abu Dhabi 107 e o Sanya 34.
A regata foi disputada com vento médio de sudeste (16 a 18 nós), tendo proporcionado imagens de rara beleza, com a zona histórica de Lisboa em pano de fundo, enquadrada pelo Cristo Rei, a Ponte 25 de Abril e dezenas de embarcações, entre as quais os navios escola Sagres e Creoula.


A Sonhar com a Sede e um Barco Português

Lisboa quer ter a sede da Volvo Ocean Race em vela e aproveitar as instalações da Doca de Pedrouços como base de treinos de regatas oceânicas, disse à agência Lusa o coordenador geral do projecto, José Carmona Santos.“Quando apresentámos uma candidatura para a Volvo Ocean Race foi pensado para seis edições, três com passagem em Portugal e três como sede da Volvo Ocean Race. E o uso dessas infraestruturas para base de treinos de regatas oceânicas, para as equipas poderem vir aqui treinar”, explicou o responsável da Lagos Sports, promotora da escala portuguesa da maior regata de circum-navegação à vela.
José Carmona Santos deu como exemplo a experiência do Abu Dhabi Ocean Racing, vencedor da sétima etapa da prova, que esteve a estagiar em Cascais e a treinar no Tejo durante o último verão, antes do arranque da regata em Alicante, Espanha, a 5 de novembro.
“Nós tivemos o exemplo do barco que ganhou aqui, o Abu Dhabi, que esteve a treinar em Cascais e que ganhou em casa, como o ‘skipper’ Ian Walker disse, e não havia espaço em Lisboa para mais barcos, porque havia outras regatas lá a decorrer”, sublinhou.
O diretor do “stopover” de Lisboa lembrou que, “neste momento, já há uma base e agora faltará construir mais algumas infraestruturas, para que os veleiros possam treinar em permanência em Lisboa.”
A conquista da sede da VOR “é um objetivo” assumido pela organização da escala de Lisboa e agora definitivamente potenciado, depois de Lisboa ter mostrado “ser capaz de fazer o melhor ‘stopover’” da 11.ª edição.
O lançamento de uma campanha exclusivamente lusa, ou numa primeira fase “mista”, com outro país, é outro objetivo da organização portuguesa.


Abu Dhabi faz História

O Abu Dhabi venceu a sétima etapa da 11.ª da Volvo Ocean Race, que ligou Miami a Lisboa. Este foi o primeiro triunfo do “skipper” britânico Ian Walker em regatas oceânicas, mas os franceses do Groupama assumiram a liderança da classificação geral.

O Groupama, do francês Franck Cammas, soma agora 183 pontos, roubando o comando da tabela aos espanhóis do Telefónica, de Iker Martinez, que tiveram despique emocionante com o CAMPER pela quarta posição na etapa.
O Abu Dhabi cumpriu as 3.590 milhas náuticas (cerca de 6.500 quilómetros) entre Miami e Lisboa em 11 dias, quatro horas, 23 minutos e 53 segundos, somente menos seis minutos do que o Groupama, tendo chegado à capital portuguesa perto das 22:30 de quinta-feira.
Já quase à 01:00, o Puma, do “skipper” norte-americano Kenny Read, conseguiu a terceira posição, com os respetivos 20 pontos, e soma 171 na geral. Mais atrasada estava a equipa chinesa do Sanya, que chegou a Lisboa de madrugada.
Após o triunfo na regata costeira de Miami, Estados Unidos, onde se iniciou a sétima etapa no passado dia 20 de maio, o Abu Dhabi passou a somar 104 pontos, mas continua na penúltima posição.
“Começámos bem esta etapa. Ganhámos a ‘in-port’ em Miami, que sempre foi um talismã para mim, mas Lisboa sempre foi a nossa casa. Estivemos a treinar aqui em Cascais durante seis ou sete semanas no verão. Passámos um tempo fantástico em Cascais. Velejámos no rio muitas vezes para preparar exatamente este momento e tudo isso ajudou”, afirmou o duas vezes medalhado olímpico ainda a bordo do Abu Dhabi, logo após chegar a Lisboa.
A chegada do barco do falcão foi saudada por vários milhares de pessoas na Doca de Pedrouços e por um colorido espetáculo de fogo-de-artifício, tendo sido esperado no Tejo por algumas dezenas de iates.
A equipa do Abu Dhabi, que perdeu o mastro na primeira etapa e abandonou a quinta devido a uma avaria, treinou em Cascais durante o último verão e a experiência acumulada na costa portuguesa terá sido fundamental para fugir à perseguição do Groupama nas últimas milhas antes da meta em Lisboa.