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Quotas de Pesca para Portugal do peixe que não querem

pesca 10hpAcabou por ser uma vitória, aquilo que a Ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, obteve do Conselho de Ministros das Pescas da UE, ao conseguir um aumento de 11 por cento de quota na totalidade do peixe que os portugueses para 2016 podem pescar e vão tirar-nos menos do que o Conselho queria.
Com este pequeno aumento, Portugal que importa 2/3 do peixe que come, vai ter uma economia no próximo ano de menos 6.508 toneladas de peixe importado.
Ao entrarmos para a CEE devíamos ter exigido ser um país exportador de peixe e não o contrário. Aceitámos reduzir a frota de pesca para passarmos a ser importadores de peixe para comer. Enquanto os outros pescam para nos vender.
Agora apenas conseguimos aumento de quotas nos peixes que os otros países europeus não querem. Como é um peixe de reduzido valor, não o querem pescar. O ano passado, Portugal foi quem mais pescou, num total de 174.084 t, capturámos 44.173 t e a Espanha 36.510 t. 
Claro que para o ano que vem deixam-nos pescar mais.
Porque não conseguimos o mesmo com a pescada, tendo esta espécie nas nossas águas? Porque este negócio pertence aos franceses e espanhóis que de um total de 104.675 t em 2014 capturaram, respectivamente, 47.927 t e 34.319 t, enquanto para Portugal só foi permitido que pescássemos umas míseras 4.368 t, dez vezes menos que os franceses. E agora ainda queriam que ficássemos com a nossa quota reduzida em 60%. Valeu a Ministra puxar a redução para 25%, para ficarmos autorizados em 2016 a pescar 3.097 t. Quem vai agora ficar a ganhar e depois exportar a pescada para Portugal?carapau 1 
Quanto ao biqueirão, um peixe que os espanhóis gostam e consomem bastante, de um total de 34.656 t, para eles ficou a quota de 27.118 ton. O resto do biqueirão que não querem, em 2016 pode ser pescado pelos portugueses, ou sejam 5.542 t, a quantidade deste peixe que mais ninguém pesca, para fechar a quota. O problema do biqueirão para os nossos pescadores é que só por acaso se dá com ele, quando se pesca à sardinha.
No que respeita ao lagostim, um marisco com elevado valor comercial, praticamente proibiram-nos de o pescar. No ano passado, de uma totalidade 63.183 t, só a Inglaterra capturou 34.455 t, metade do total, a França capturou 9.044 t, a Espanha 1.682 t. A Portugal só deixaram pescar 190 t. Para 2016 vão-nos deixar mais 26% de lagostins, o que representa a ridícula quantidade de mais 50 t.
No que respeita ao bacalhau, trata-se de um negócio para todas as frotas europeias, menos para os portugueses, que são os que consomem mais este peixe. 
São 17 os países da Comunidade com quota para pescar bacalhau. Em 2014 a totalidade autorizada foi de 167.678 t. Para Portugal apenas foi foram autorizadas 8.134 t. Mas Inglaterra teve 28.541 t, a Dinamarca 27.109 t, Alemanha 22.754 t, Polónia 18.711 t, Espanha 18.024, Suécia 15.478 t e França 11.899 t.
Aceitámos afundar os nossos barcos bacalhoeiros. Agora todos podem pescar bacalhau para nos vender. Nós é que não podemos pescar mais para comer.