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Cerca de 300 Pargos Capturados ilegalmente na Costa Vicentina

robalinho hpComo não existe na DGRM qualquer tipo de organização de fiscalização às pescas, pescadores sem escrúpulos cometeram à-vontade um gravíssimo crime ambiental e económico a meio do mês de Maio, ao largo da Carrapateira na Costa Vicentina, ao capturarem com uma rede ilegal cerca de 300 pargos. (artigo completo no nº 343 do Notícias do Mar)
O mais grave é que este crime se repete há uns anos, no mesmo local a seguir ao mês de Maio, depois de se saber que os pargos entraram e estão a ser pescados pelos pescadores artesanais de Sagres.
Os suspeitos desta criminosa acção são os mesmos que têm redes de emalhar de fundo de tresmalho, fundeadas permanentemente na Costa Vicentina quando só podem estar 24 horas e depois têm que ser levantadas. São barcos de pescadores da pesca industrial de Matosinhos e de Vila do Conde.
robalo 3As redes de tresmalho são redes de emalhar constituídas por três panos de rede sobrepostos, os dois exteriores idênticos e com grandes malhas e o interior com rede miúda e de malhagem mais pequena. Os peixes ao encontrarem uma rede de tresmalho, atravessam sem dificuldade uma das malhas grandes exteriores e empurram a rede miúda, acabando por ficarem assim presos numa espécie de saco ou bolsa. Estas redes não podem ter mais de 5 metros de altura, mas podem ter de comprimento até 5.000 metros.
Qualquer peixe que vá ao encontro destas redes dificilmente se safa.
Estudos efectuados por professores da Universidade do Algarve determinaram que ao fim de 24 horas, quando estas redes são levantadas, as rejeições para deitar fora são cerca de 49%, de peixe sem medidas, ou espécies não comerciáveis.robalo 2
 
Cerco de rede com 30 metros de altura e “very lights” para o meio
Durante a noite, conhecendo bem a zona e depois de confirmar pela sonda onde está o peixe, os pescadores criminosos lançaram ao mar uma rede com 30 metros de altura, previamente preparada com seis redes de tresmalho de 5 metros de altura cada por cima umas das outras e com o comprimento suficiente para cercar toda a zona e o peixe. Depois começaram a lançar “very lights” para o meio, para espantar todo o peixe para fora. 
Cercados por uma rede com a altura de um prédio de 12 andares e assustados pelas luzes dos “very lights” os pargos e todo o peixe que se encontrava ali fugiu, mas sem qualquer hipótese ficaram presos nas redes. 
Foi de certeza mais de uma tonelada de pargos capturados e metidos no porão com gelo. Quanto ao restante peixe, provavelmente mais de uma tonelada foi deitado fora, porque era peixe que não interessava comercialmente nem se ia gastar gelo com ele.
O crime deve compensar porque é reincidente e ainda ninguém pagou por ele. 
Com isto ficaram mais pobres os pescadores artesanais de Sagres que de um dia para o outro deixaram de ter pargos nas linhas do palangre ou nas zagaias.  
Este assunto conhece-se já em todos os portos da Costa Vicentina e no do barco que cometeu o crime, se a Polícia Marítima quisesse descobrir quem foi já tinha conseguido, porque uma rede com 30 metros de altura não se prepara no quintal de ninguém e se fica guardada de um ano para o outro, está certamente num armazém não muito longe do porto.      
Os pescadores artesanais, dizem que já não vale a pena apresentar queixa nas Capitanias contra a pesca das redes de emalhar de fundo da pesca industrial porque nunca são atendidas as suas razões.