Mar7 debateu Indústria Naval em Setúbal

1 marseA MAR7 - Associação para o Desenvolvimento da Economia do Mar no Distrito de Setúbal iniciou, na passada quarta-feira, um ciclo de iniciativas, intitulado “Mar7 Pitchs |CEOs@SEA”, que visa uma reflexão sobre temas específicos.  A primeira sessão teve por tema “A indústria naval em Setúbal.  Projetos diferenciadores da cadeia de valor.” e realizou-se no auditório da Casa da Baía. A próxima sessão realizar-se-á em Abril.

Desta iniciativa ficou a convicção da necessidade de desenvolver um trabalho conjunto, por parte dos agentes do setor, para superar os desafios e construir soluções coordenadas, que proporcionem a geração de emprego e riqueza, subjacente um vasto conjunto de indústrias associadas à indústria naval.
No início dos trabalhos, Paulo Ribeiro, presidente da Direção da MAR7, apresentou a razão de ser deste conjunto de iniciativas, manifestando a importância de se conhecer, divulgar e refletir sobre o que de bom se faz no nosso distrito na Economia do Mar. A Câmara Municipal de Setúbal, fez-se representar pelo Vereador Carlos Rabaçal, que começou por afirmar que “o Município de Setúbal está virado para o mar” e, por essa razão, congratulou-se com a existência da Mar7, enquanto associação vocacionada para as atividades do mar.
O tema da sessão foi enquadrado por Miguel Marques, partner da PwC, que começou por referir que “faz-se economia do mar em Setúbal”, acrescentando um conjunto de atributos que podem conduzir esta região a uma participação ainda mais alargada nesta área, destacando os RH capacitados, a localização geográfica e o clima. Quanto à indústria naval, os dados apresentados mostraram a forte liderança de três países (China, Coreia do Sul e Japão) com uma quota de 80% das encomendas de embarcações. Contudo, a região de Setúbal, que já é forte em alguns segmentos de mercado, pode seguir a tendência europeia de aposta em nichos de mercado, tais como a construção e manutenção de embarcações vocacionadas para a náutica de recreio e para a marítimo turística.
Já Peter Luijckx, administrador da Lisnave, falou na gestão flexível inerente ao modelo bem sucedido dos serviços de reparação e manutenção naval da empresa, na aposta em recursos humanos qualificados, formados indoor, e no interesse para atrair novos e jovens quadros. A Lisnave precisa de muitos jovens técnicos especializados para os próximos anos, para os quais oferece anualmente formação a vários candidatos, sendo uma oportunidade que pode ser aproveitada pelos jovens.
Pedro da Maia, representante da Hempel, uma empresa de sucesso localizada na região, que exporta tintas de fundo para mais de trinta países. O foco foi dado ao SilicOne, produto destinado a embarcações da náutica de recreio, da marítimo-turística e da pesca desportiva, que se caracteriza pelo não deposito e fácil libertação das incrustações devido à baixa tensão superficial do revestimento em contacto com a água, proporciona poupança de combustível e redução de emissões.

Jorge Martins, da Neptune, apresentou o seu projeto de refit de embarcações náuticas, que surgiu da identificação de uma oportunidade de mercado em Portugal e da convicção que tem sobre a apetência de Setúbal para esta atividade e para a localização de empresas ligadas ao fornecimento de produtos e serviços para a náutica de recreio, retomando competências básicas, como por exemplo carpintaria, pintura, estofador, etc, que se foram perdendo ao longo dos anos, ajustando-as às novas tendências tecnológicas.
Por último Sérgio Ribeiro e Silva, da KDS Offshore, começou por colocar a questão: “Será Possível Desenvolver a Marítimo-turística no Estuário do Sado?”. O orador, que participou no projeto de recuperação da embarcação “Maravilha do Sado”, apresentou a vocação da empresa para projetar embarcações novas, com uma tipologia catamaran, em poliéster reforçado com fibra de vidro (PRFV), especificamente concebidas para a atividade marítimo-turística, que configuram vantagens na navegação e melhores padrões de conforto e de segurança.